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segunda-feira, 31 de março de 2014

Dior | Verniz Efeito Gel, tom 403 Palais Royal

A Dior lança amanhã, pelo menos por toda a França, e penso que brevemente em Portugal, a nova linha de vernizes efeito gel, "ultra-brilhantes, de longa duração e textura gel sensacional". Há algum tempo que andava de olho num deles, mais pelo tom do que qualquer outra característica, supostamente genial, já que os Dior regulares me deixam contente o suficiente. Quando os encontrei em pré-lançamento e com promoção, trouxe imediatamente aquele que se tornou, facilmente, o meu taupe favorito, o 403 Palais Royal. 


Começo logo pela desmistificação, porque estarem a ler um texto inteiro com maravilhas e, no final, os pequenos neh da vida pode deixar um gosto amargo na boca e a ideia errada. Não queremos isso. Portanto, se achei a textura tão diferente dos outros, os normais, da marca? Não, não achei. Talvez seja um bocadinho mais espesso, mas, com o top coat que lhes ponho, todos ficam tão brilhantes quanto eu quero que eles fiquem, para falar verdade. Agora, estamos a falar de vernizes que são, sem rococós nem floreados, já muito bons. As pequenas melhorias ligeiras podem ser quase imperceptíveis, uma vez que eles cumprem a sua função muito bem.

Tendo tirado este pequeno peso da consciência, o Palais Royal é o que a marca designa de taupe "utilitário" (seja isso o que for). Para mim é uma cor fantástica (tanta razão, A. aka Coisas e Cenas, tanta razão), que está entre os castanhos acinzentados com toque de rosa, discreto. Numa camada fica homogéneo, bonito e suave; em duas já ganha uma intensidade de cor, mais escura, mas igualmente interessante.  Confesso que foi a minha primeira incursão pelo tom, depois de ter perguntado, procurado, testado outros, parecidos, mas nunca iguais. Sou assim, quando cismo não há nada a fazer. 


A aplicação é extremamente simples. A Dior melhorou o pincel já amiguinho-das-mãos-mais-desastradas, arredondando a ponta, mantendo-o achatado, como prefiro, e alongando-o ligeiramente. Deslizá-lo sem sujar os dedos é mais fácil. Seca incrivelmente rápido, embora não seja tão rápido quanto outros da Dior (ao contrário do que conselheira que mo deu garantiu. Sempre a mesma história, fazer o quê?). 

Dura, nas unhas, tanto tempo quanto outros, da marca. Não senti que tenha aguentado mais, mas um dia faço o teste com dois, um em cada mão, e logo vos direi à conclusão a que cheguei. Portanto, tive umas unhas perfeitas durante cinco dias, com um tom que começou a secar (e não sei até que ponto o ar condicionado do avião fará alguma diferença) e a lascar ligeiramente, no polegar, que andou a carregar malas e sacos e tudo o que precisasse. Nas restantes unhas, portou-se como sempre, com o desgaste mínimo, típico dos vernizes da Dior quando se cansam e acham a vida rotineira monótona e a precisar de outra cor. 

Os 21 tons, com nova fórmula e novo pincel, serão lançados em Abril e custam exactamente o mesmo que os normais (ufa!). As cores são muito bonitas, para todos os gostos, e versáteis. Para quem gosta de andar sempre com umas unhas com ar sofisticado, e se tiverem aversão a unhas de gel (como eu), estes vernizes podem ser uma opção. Não são baratos, mas garantem-vos unhas com ar profissional, durante muitos meses. 

sábado, 29 de março de 2014

Dicas que dão jeito # 13 - Beleza aérea

Quando a Lisinha se predispõe a fazer um vídeo sobre os cuidados com a pele em viagens de longa duração, é com atenção e caneta em punho que o vemos, ouvimos e interiorizamos. Tendo oito horas de avião pela frente, sofrendo de ansiedade por causa de voo e uma pele que reage sem piedade ao ar condicionado, decidi trazer comigo, algumas coisinhas inspiradas nas sugestões da mestre, e que, de facto, resultaram de forma brilhante. Cheguei ao destino com o cérebro frito, mas uma pele radiante, como se tivesse descansado o voo todo. Eis o meu kit SOS voo longo:


Homeoplasmine - Desde Janeiro que esta "vaselina melhorada" tem sido o meu fiel companheiro de luta. Com o tempo frio e seco os lábios cá de casa, os meus e os do monsieur que mora comigo, ficam secos e a pelar. Este produto tem-nos valido tanto em Paris, à noite, quanto no avião ou por aqui, sempre que o ar está mais agreste.

Caudalie Eau de Beauté - Andei a procrastinar a compra deste produto até um belo dia, em que o vi na Citypharma, neste formato reduzido, com o design da L'Wren Scott. Já tinha sentido o aroma dele e não tinha ficado maravilhada, mas, para a viagem, depois dos elogios rasgados da Lisinha, decidi que poderia ser uma adição interessante. Não o uso como spray para refrescar (as águas termais são melhores para o efeito), mas é um boost revitalizante para uma pele cansada, baça e desidratada de se lhe tirar o chapéu. Esguicho umas borrifadelas nas mãos, limpas, e passo-as no rosto, pressionando. Ao mesmo tempo que sinto a pele a ficar mais nutrida, o aroma acalma-me. 

Bioderma Água Micelar H2O - O primeiro passo de todo o processo foi a limpeza de um rosto que já ia sem maquilhagem. Gosto deste produto para refrescar, embora não seja o meu desmaquilhante favorito, como já vos falei noutra altura. Este formato mini é perfeito para trazer na cabine. 

Caudalie creme de mãos - Mais uma vez, não é novidade, eu gosto imenso destes cremes de mãos da Caudalie. O tamanho é bom, não é gorduroso, hidrata a pele e tem um cheirinho, especialmente este de cassis, divinal. Já anda comigo na bolsa diária, portanto foi o companheiro das minhas mãos na viagem. 

Masque Hidratante Monoprix - Com todas as restrições a líquidos e afins na mala de mão, achei que o mais prático seria levar uma pequena máscara de hidratação, unidose. Esta é de uma cadeia francesa, mas há várias, acessíveis. O importante, pelo menos no meu caso, é que seja hidratante, para dar a elasticidade e luz natural que o ar condicionado retira. Depois da pele limpa com a água micelar, espalhei a máscara pelo rosto e tentei adormecer. Enquanto que este segundo objectivo foi completamente falhado, o creme foi rapidamente absorvido pela pele, sem necessidade de remover excessos ou enxaguar. Muito prático. Na minha viagem de regresso talvez leve uma da The Body Shop, que também tem várias opções. 

Se disser que a pessoa que está ao nosso lado não olha para nós, perante tal manancial de produtos, e questiona o que estaremos a fazer, estaria a mentir. Mas, esquecendo o mundo que nos rodeia, confesso que, pela primeira vez, não aterrei com uma pele de bradar aos céus, desgastada e sem luz. Vou, com certeza, adaptar os produtos (se tiverem alguma dica, digam, por favor), mas, para primeira vez, confesso que fiquei muito satisfeita. 

E vocês, têm algum ritual de beleza em voos de longa duração?

sexta-feira, 28 de março de 2014

Repolho no forno

por Carol Vannier

Eu disse na semana passada que você podia pegar tudo que faz na água e sal e fazer no forno. Então, ainda tem mais coisa que normalmente não vai pro forno mas deveria: repolho por exemplo. Fica tão bom que é até perigoso... Mas ele não faz milagre sozinho, tem cebola e alho pra ajudar trazendo o tempero e um toque doce.

Nessa leva, aproveitei que tinha acabado de trazer uma couve-flor pra casa, e misturei no repolho as folhas da couve flor. Aliás, quando quiser aproveitar as folhas da couve flor sozinhas, elas ficam ótimas preparadas do mesmo jeito que a couve normal (couve manteiga). Dá até pra confundir as duas! Mas dessa vez era pouca folha de couve-flor, então ela só serviu mesmo pra dar um efeito bicolor no repolho :)

Então mãos à massa: enquanto o forno aquece, pique um quarto de repolho em fatias finas, uma cebola também em fatias finas, e uns 4 dentes de alho em pedacinhos bem miudinhos. Se tiver folhas de couve-flor disponíveis, pique-as com talo e tudo em fatias finas também. Vá colocando tudo numa tigela* (é bom pra desafogar a tábua), e depois de tudo picado, tempere com sal e pimenta a gosto, e um bom fio de azeite. Permita-se um momento Amélie Poulain e meta os dedos nesse emaranhado de fiapos. Vá massageando e misturando tudo, até que as folhas do repolho estejam soltinhas e tudo esteja besuntado de azeite. Despeje tudo num tabuleiro bem grande e asse por aproximadamente 20 minutos. Pode ser uns 30 minutos se você gostar de uns pedacinhos mais queimadinhos como eu.

Foto do tabuleiro já atacado fingindo que é estilo :P

*Enquete: a palavra 'bol' pra tigelas semi-esféricas de cozinha já pegou no Brasil? E em Portugal?

quinta-feira, 27 de março de 2014

Sorteio | De NY, com Amor

Com a diferença de cinco horas entre Paris e Nova Iorque posso, com toda a certeza, afirmar que este foi o meu dia mais longo de sempre (isto sem contar directas que juntavam um dia ao outro, estamos a falar de dias únicos, com dormidas no meio). Finalmente estamos na cidade que eu queria visitar há anos e anos e admito que nem o cansaço, nem as horas passadas nos transportes públicos de malas atrás me desanimaram nem por um minuto. Pelo contrário, apenas me deixaram com mais vontade de conhecer todos os cantos e recantos daquela que nunca dorme (ao contrário de mim que, sem as minhas horinhas de sono, me torno um bicho do mato). 

Long story short (que estou aqui e permito-me uns estrangeirismos catitas) decidi que, embora os posts possam ser, durante estes dias, mais erráticos, deixo-vos com um sorteio de uma paleta de uma marca daqui que é uma das que mais curiosidade me despertava, a Tarte

Portanto, senhoras e senhores, até 7 de Abril, podem candidatar-se à paleta Amazon Escape, que contém:
  • Seis sombras Amazonian clay  - Canopy (castanho escuro); Tribal (ameixa); Rare (pêssego suave); Rope (beige mate) Tame (beige clarinho); Cameo (bronze brilhante)
  • Dois 12-hour blushes - Free e Exposed
Todos, numa embalagem com aspecto de clutch arroxeada, que é perfeita para levar a passear. Se quiserem ver mais imagens e swatches cliquem no link para o blog Musings of a Muse que vos deixo aqui. Quero manter a vossa intacta, intocada, até ir para a pessoa sortuda que a receba de braços abertos e muito carinho.

Como concorrer é fácil. Vou, novamente, recorrer ao Rafflecopter, ao qual já estão mais do que habituad@s, deixando dois passos obrigatórios para a participação:

1 - Ser seguidor/ clicar em gosto/curtir/like na Salinha no Facebook;
2 - Partilhar o post do sorteio, publicamente, na vossa página de Facebook, e colocar, nos comentários, o link para esse post. Vejam neste link como é que podem copiar esse link, para deixarem abaixo. 


a Rafflecopter giveaway


Relembro que, quem não seguir ambos, não ficará habilitado a ganhar, uma vez que, aquando da selecção da felizarda ou do felizardo, verificar-se-á o cumprimento das duas condições.

Mais uma vez, o sorteio é internacional, portanto todos estão mais do que convidados a participar. Boa sorte!

(Entretanto, poderão seguir a viagem por NY no Instagram ou no Facebook da Salinha, sempre que eu apanhar uma internet livre por aqui. Vejo-vos por lá.)

terça-feira, 25 de março de 2014

Pergunta da Salinha # 3

Como preferem remover o produto de limpeza na vossa rotina diária facial? Enxaguar com muita água ou à japonesa, com um paninho?

Enquanto não descobri a limpeza à japonesa, adorava sentir a água bem fresca no meu rosto, logo de manhã, para acordar. De dia é o que ainda faço, por ser mais prático, rápido e ser uma fonte  de energia diária através da água, que eu preciso. Mas, confesso que, à noite, adoro o ritual de passar o paninho com água quente e depois bem fria. Além de me relaxar, sinto que a pele fica muito mais limpa. 

E vocês?



domingo, 23 de março de 2014

Em Paris, provem um bom macaron (ou dois!)

Pierre Hermé ou Ladurée, Pierre Hermé ou Ladurée ? Fossem todos os dilemas da vida resolvidos com a facilidade e o prazer da solução para uma das questões principais que coloco às pessoas que aqui me vêm visitar. Não que a escolha tenha que passar, obrigatoriamente, pela preferência de um em detrimento do outro mas, se quiserem provar os reis daquelas que são umas iguarias francesas mais apreciadas, conceituadas e coloridas, os macarons, não deixem de visitar os mestres na arte. França comemora o Dia do Macaron a 20 de Março, e nós fomos provar mais uns sabores, não fosse o nosso julgamento, até agora, não ser o mais correcto.

Por todas as boulangeries e muitas chocolaterias em Paris, encontramos vitrines, maiores ou menores, cheias de doces coloridos e com ar elegante, que primam não só pela concepção mas muitos, principalmente, pela apresentação. Antes de provarmos algum, já os nossos olhos estão conquistados no requinte das formas, das frutas lustradas e dos pequenos acabamentos de chocolate. Eu gosto, particularmente das cores, dos verdadeiros arco-íris, em combinações de sabores improváveis, que me desafiam os sentidos. E, aí, entram os macarons.

O primeiro que comi, há tantos anos que já nem me lembro quando, foi numa daquelas padarias de estação de metro e RER. Uma coisa tipo bolachinha, de framboesa, pareceu-me uma aposta segura. Contudo, a falta de algo que o tornasse especial, associado a um recheio de fraca qualidade e a um merengue com gosto a corante demasiado artificial, levou-me a acreditar que, de facto, ali estava um doce que não me diria nada. Provei ainda um em Portugal, numa pastelaria conceituada, e também não me aliciaram. A adoração ao macarons iria, para mim, permanecer um mistério, daqueles que mais ninguém pode resolver por nós.

Um dia, no ano passado, andava eu à procura de um vestido para o casamento civil nas Galeries Lafayette (tendo encontrado um da Karen Millen, marca que está no meu coração ao lado da Ted Baker, lindo), quando passei pelo quiosque, num dos andares (não me perguntei qual), da Pierre Hermé. O ar cuidado, as combinações de cores e texturas em cada macaron, atraíram-me. Não eram nada como os outros que já tinha visto, coloridos, mas de um só tom, lisos. Aqueles tinham um verdadeiro je ne sais quoi, que convidavam à prova. Apesar de custarem o dobro dos macarons pelos quais passava normalmente, pensei que, se fossem tão bons quanto o seu aspecto, haviam de valer muito mais do que qualquer outro, pelo que um chegaria perfeitamente para saciar a minha gulodice.



Tal e qual. Assim que dei a primeira trinca, senti a delicadeza de um merengue bem batido, leve, crocante e ao mesmo tempo saboroso; a mestria de um recheio pensado para agradar, para despertar outros sentidos, dando-lhe um toque de qualidade artesanal; a combinação de sabores, minhas senhoras e meus senhores, as combinações de sabores... inigualáveis. Foi amor. Eu, que nunca tinha apreciado por aí além os macarons, estava convertida aos do Pierre Hermé.

Cada docinho do Pierre Hermé, como outras iguarias dele, são criadas para despertar várias sensações em quem os prova. Desde os pequenos pormenores desde chocolate negro, do melhor, polvilhado, a pequenos pedaços crocantes de açúcar ou sal, consoante o sabor, passando por degradés de cores e misturas de tons, aos recheios que têm tanto de sabor quando de textura própria do ingrediente ao qual foram buscar a essência (o de figos e foie gras tem a densidade do segundo e sementes, esmigalhadas, crocantes, do primeiro; o de cream cheese a cremosidade do queijo; o de chocolate tem gotas de uma intensidade insuperável e o de limão tem a acidez cítrica natural que se encontra raramente num doce), tudo foi pensado para ter tanto de original quanto de excelente. Ficaram tentados?

Por outro lado, não podendo passar impávida e serena ao culto da Ladurée (como se fosse necessária razão para provar algo diferente e doce), fui, passados poucos meses, até àquele que é, para mim, o espaço mais parisiense de Paris, desejosa de provar os macarons deles (e confesso, compará-los com os do meu primeiro amor). Nos Champs Elysées, avenida tão procurada de Paris, a fachada da Ladurée é qualquer coisa de sumptuoso. A lembrar o frenesim da cidade das luzes no final do século XIX, os motivos verdes e dourados transportam-nos para a era de um Paris de filme de época, sumptuoso, glamouroso, em todo o seu esplendor. Dentro, em dois espaços distintos, podemos visitar o salão de chá ou ir directamente à vitrine dos doces, comprar umas delícias para levar para casa. É o que fazemos, embora os saquinhos transparentes cheguem sempre a casa vazios.


Os macarons da Ladurée, embora menos divertidos em termos de cores, dado que, normalmente, cada um só tem um tom e uma aparência monótona, são, em termos de sabor, muito bons. A qualidade com a qual são confeccionados e a exigência na escolha dos ingredientes são inegáveis e merecedoras da adoração que lhes têm. Quando se vai à Ladurée, não se trazem apenas uns docinhos coloridos numas caixas bonitas (uma delas assinada pela Nina Ricci), mas também um Paris dos sonhos, um glamour tão francês. E essa é uma experiência que vale muito.  

Entretanto, já provei outros macarons de outras confeitarias, tendo conhecido, inclusivamente, a fábrica que distribui os doces para a maioria das padarias comuns. As que não são especializadas, as que não têm confecção própria. Também são bons, admito, para quem quiser levar uma caixinha, não muito cara, para oferecer em casa. Os 18 ou 20 euros por sete ou oito macarons nas duas grandes lojas que vos falei não são assim tão acessíveis à maior parte dos comuns dos mortais, como eu. Valem o que custam, atenção, e valem mais do que os outros, mais normais, mas são, reconheço, muito caros.

Contudo, o que proponho, se me permitem, é que façam o teste. Um dia, quando estiverem a passear pelos Champs Elyssées, provem um de cada, pelo menos. A Ladurée está a meio da avenida, é fácil de ver, e a Pierre Hermé tem um balcão na Drugstore mesmo no topo, ao chegar ao Arco do Triunfo. Quando estiverem no Marais podem visitar, igualmente, o espaço PH, acrescentando essa visita a outras, das quais vos falei noutro post

Acharão, talvez, os cerca de dois euros por cada um demasiado caros por uma coisa tão pequenina, mas, se forem como eu, acreditam que há experiências que são únicas, que não se repetem. E há que aproveitar. Mais vale provarem dois macarons muito bons, e escolherem o vosso favorito, se tiverem um, do que uma caixa daqueles que não brilham.

   

sábado, 22 de março de 2014

Dicas que dão jeito # 12 - Cocooncenter e a descoberta da semana


Passo por aqui muito rapidamente só para partilhar convosco o site de uma parafarmácia, a Cocooncenter, com preços extremamente interessantes, com entrega tanto em Portugal quanto no Brasil. Os portes não são gratuitos para o Brasil e, para Portugal, só são oferecidos a partir de 99 € de compras, mas, se fizerem uma encomenda considerável, ou se se juntarem com amigas, será sempre um óptimo negócio. Especialmente se considerarmos os preços dos produtos em Portugal ou no Brasil.

Vejam só alguns preços:

Uriage Hyséac Mon Kit Zero Brillance - 11,9€

Estes são só alguns produtos que eu andei à procura ou comparei. Vejam no site qual a diferença para outros preços, inscrevam-se na newsletter e conseguirão, provavelmente, ofertas muito boas. 

Excelente descoberta, esta, não?


sexta-feira, 21 de março de 2014

Sementes de Abóbora

por Carol Vannier

Num país onde se come muita carne seca com abóbora, acho curioso que seja tão pouco comum aproveitar as sementes da abóbora. Elas são um petisco tão viciante quanto um bom amendoim, e ainda acredita-se* que combatam vermes!

Além disso, eu adoro poder aproveitar tudo de um alimento, em vez de jogar fora um monte de coisas úteis. É verdade que às vezes esse aproveitamento todo dá muito trabalho. Você pode por exemplo fazer caldos de legumes caseiros com aparas e cascas de algumas coisas (inclusive abóbora), mas pra isso tem que lavar tudo antes de descascar, ir juntando essas aparas num pote e depois ferver tudo, acondicionar etc. Mas as sementinhas são tão fáceis de aproveitar...

Outra coisa que adoro é aproveitar que acendi o forno pra uma coisa e assar logo duas. E como um jeito que adoro preparar abóbora é assada, asso ela e as sementes numa leva só. Caso você esteja achando estranho assar abóbora, saiba que praticamente qualquer legume que você come cozido na água fica fantástico assado também. Corte em pedaços do tamanho que preferir, jogue num pote com sal, pimenta e um fio de azeite e misture bem com a mão, e depois despeje no tabuleiro. Outro dia fiz uma rapa de tudo que estava meio murcho no gavetão da geladeira e foi tudo assim pro forno: abóbora, nabo japonês, cenoura, abobrinha e pimentão amarelo. Eu comecei picando os que demoram mais pra cozinhar (cenoura, abóbora e nabo), e aí eles entraram antes no forno. Depois que terminei de picar e temperar as abobrinhas e pimentão, eles entraram também, no mesmo tabuleiro que ainda tinha espaço (é bom que eles fiquem numa camada simples, sem montar uns nos outros). Tirei tudo junto, quando estava tudo macio. É prático porque o tempo de cozimento não é muito preciso, então mesmo que você esqueça um pouco da vida, não vai necessariamente esturricar. E o sabor de tudo fica bem intenso, porque não perdem nada pra água. O nabo japonês me surpreendeu muito, foi a primeira vez que fiz assim e estou ansiosa pra repetir. A abóbora fica super doce e cremosa, e se cortar em pedaços fininhos, tipo palito, ainda forma uma boa casquinha. E o legal das sementes é que, além de salgadas e crocantes, elas assam bem mais rápido que os legumes em si, então são o tira-gosto perfeito.

Então da próxima vez que comprar abóbora, já sabe: escolha o pedaço mais cheio de sementes!




SEMENTES DE ABÓBORA ASSADAS
dicas preciosas do Simply Recipes

Ingredientes:
sementes de abóbora
água, sal e azeite

Preparo:
  • Separe as sementes da abóbora e tente tirar o máximo dos cabelinhos que conseguir. Fazer isso na água às vezes ajuda. 
  • Depois de dar uma enxaguada nelas, coloque-as numa panelinha com água e sal, e cozinhe por aproximadamente 10 minutos.
  • Escorra as sementes e tempere-as com azeite (elas já estão salgadas!). Você pode usar a própria panelinha (sem água) para misturar as sementes no azeite. Assim você garante um recobrimento ideal sem jogar litros de azeite no tabuleiro.
  • Espalhe as sementes numa camada única em um tabuleiro que pode ou não ser forrado com papel manteiga, para evitar um bocado de trabalho a quem for lavar a louça ;)
  • Asse em forno alto por um-tempo-que-eu-nunca-sei-e-por-isso-queimo-com-frequência-minhas-sementinhas. Hahaha, brincadeira, é por volta de 10 minutos, mas varia dependendo de muitas coisas, então fique de olho e ponha um timer!



*Não consegui achar nada além de alguns livros citando artigos antigos, e mesmo assim os testes não foram feitos com semente assada, mas sim crua e triturada e combinada a longos jejuns, para azar das cobaias...

quinta-feira, 20 de março de 2014

Philip Kingsley | O adorado Elasticizer

Não sou muito dada a hypes, febres estranhas ou multidões loucas atrás de um produto que se diz fantástico pela blogosfera fora. Já houve alguns, adorados pelas bloggers inglesas, que eu experimentei e pensei, frustrada, “neh, é só isto?!”. Esquisita? Talvez. Mas sou assim, muito pouco influenciada pelas massas, especialmente quando todas pendem para a adoração, qual rito, de determinadas marcas, de determinados produtos, como se fosse possível agradar a gregos e troianos. Não é. Nunca será. Quando assim for, desconfiemos.


Tendo dito isto, num primeiro parágrafo que é mais uma declaração de posição e contexto ao que apresento em seguida do que outra coisa qualquer, devo confessar que o Elasticizer, da Philip Kingsley, me arrebata em cada utilização. É adorado, e bem, pela maioria, e o meu cabelo entende perfeitamente os elogios rasgados que lhe fazem. Não é para todos, mas é, sem dúvida, para ele.

O Elasticizer é um produto para a pré-lavagem, a aplicar no cabelo húmido, antes do champô. Eu uso-o apenas nas pontas, onde o cabelo fica mais seco, mais difícil de pentear e mais quebradiço. Para mim, é suficiente aplicar de vez em quando, só quando o cabelo decidiu que se ia revoltar contra mim e começa a formar “ninhos de rato”, como carinhosamente chamam ao entrelaçado de nós e chatices, especialmente na região da nuca (quando uso cachecóis e lenços, é uma festa). Um cabelo fino e seco nas pontas é uma carga de trabalhos, também.

Quando assim está, pego na minha bisnaga, espremo-a para sair uma pequena quantidade que massajo nas pontas, espero 20 minutos, e vou tomar banho. Uso o champô e o condicionador, actualmente aqueles que vos mostrei no post a eles dedicado, olho para ele e digo: Quem manda aqui sou eu, seu sacana! E eis que acalma, se deixa pentear, secar como bem quiser, e ainda fica bonito e maleável durante dois dias (mais do que isso não sei porque lavo o cabelo dia sim, dia não).

Usar diariamente, arrisco a dizer que, no meu caso, seria demais, já que é um peso pesado na protecção e cuidado de cabelos muito secos e estragados. Contém (e aqui limito-me a reproduzir o que a marca diz, e deixo os comentários a quem percebe melhor que eu) óleos, glicerina e glicol para hidratar; silicone, para amaciar e dar brilho e elastina, para dar vigor e elasticidade ao cabelo.  Portanto, hidrata, dá brilho e aumenta a elasticidade do cabelo. Em mim: Check!

Só em jeito de conclusão, e acho que é um facto interessante, o Elasticizer foi desenvolvido, há 40 anos, para a Audrey Hepburn e, como afirma Philip Kingsley, desde então “tem ajudado milhões de cabeças de cabelos”. O pai do aniversariante espera que gostemos tanto dele quanto a Audrey gostava, ao que eu digo: Mais ainda, meu caro, mais ainda!

Podem encontrar o Elasticizer em várias lojas online, como a Feelunique ou a Lookfantastic, com vários tamanhos e preços e envio gratuito internacional. Por ocasião do aniversário, a marca lançou ainda um coffret rosa, limitado, com 250 ml de produto e uma toalha. O preço mais acessível deste kit é o da Lookfantastic (41,15€/ ca R$134) , ao qual poderão acrescentar os códigos de desconto que, frequentemente, a loja tem (Cód: LFNEW, fica a 37,04€/ ca R$120 ). 
foto:feelunique.com


Estão fart@s de um cabelo seco, quebradiço e com ar baço? Aqui está uma possível solução. :) 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Objecto de Desejo * # 16


Relógio Michael Kors Petite Rose Golden Stainless Steel Lexington, a $195, no site da MK

(ficaria lindo com a minha futura Interchangeable, marca que a A. do Coisas e Cenas me deu a conhecer. Safada!)  


* que, quem sabe, um dia, no futuro, se, entretanto, não for descontinuado, será meu, numa ida aos Estados Unidos (onde é, francamente, mais barato). 

terça-feira, 18 de março de 2014

Desmistificando Diversidades # 1

1. As fotos de bico em riste não são, normalmente, as que mais favorecem. Pelo contrário, a mim, um bico feio causa-me gargalhadas, além de uma pitadinha de vergonha alheia, se muito acentuado. Não é sexy e, se até à Keira Knightley chamam a atenção para reduzir a intensidade do biquinho que fazia com os lábios, porque acharão algumas pessoas que ficam bem assim? 

2. Também se pode trabalhar em frente ao computador, e não, não é em campos de cultivo virtuais, ou plataformas de campanhas em rede. E sim, também se pode ficar cansado, e muito, por um trabalho essencialmente mental, por mais que estejamos sentados. 

3. As portuguesas não têm bigode, as francesas tomam banho e as brasileiras não são "mulheres da vida", nem são todas bombas sexuais. Get used to it! São estereótipos que não fazem bem a ninguém e o resto é conversa, que não serve nem para adormecer (apenas para me entediar horrores).  

4. Falar, escrever e gostar de produtos de beleza e maquilhagem não faz da pessoa (seja homem ou mulher) fútil e superficial. Se conhecessem algumas cabeças que estão por detrás de alguns blogs perceberiam isso facilmente. A igualdade e a liberdade estão na escolha de usar, não usar, gostar, não gostar, ser, ou não ser, e, francamente, ninguém tem que julgar o que quer que seja. Especialmente quando, e voltamos ao anterior, é uma opinião baseada principalmente em preconceitos e estereótipos infundados e que corroem mais do que constroem. 

5. Podemos ter interesses diferentes, desde a cena mais comercial e cliché do mundo, ao som que só meia dúzia de pessoas apreciam. Ver filmes de bilheteira e o mais escondido cinema independente, non-sense ou não. Ler livros brilhantes e outros apenas pelo entretenimento da coisa. Ser eclético é bom e recomenda-se.

6. Há quem goste do filme Sweeney Todd, mesmo com o Johnny Depp a cantar (por sinal, há quem goste do JD desde a Rua Jump 21 e não seja groupie ou adolescente).  

segunda-feira, 17 de março de 2014

MUFE | HD Blush, no tom 335 Fawn

Quanto mais me conheço, mais me convenço que os meus blushes favoritos são os neutros, nudes, naturais, como lhes quiserem chamar. Aliada a tal cor uma textura que não seja demasiado poeirenta, daqueles que migram e nem dão tempo para despedidas, nem colante, como alguns blushes cremosos me parecem, temos uma relação duradoura. Foi o que aconteceu com o meu novo blush HD da Make Up Foverer.


A MUFE garante ter criado, com esta fórmula, um produto que se “funde com a pele para um rubor natural da pele, com um resultado duradouro”. Com uma textura fácil de misturar na pele, permite ainda uma “aplicação controlada”, supostamente perfeita para quem tem medo de, desajeitadamente, abusar do blush. Ando há semanas a usá-lo (não diariamente, mais o suficiente para o ter posto à prova) e é, actualmente, aquele no qual pego quando quero algo simples, fácil, natural e sem brilho ou confusões.


O que veio morar comigo foi o 335 Fawn, um castanho rosado, o que me pareceu o mais neutro de todos e que veio colmatar uma lacuna na colecção. A escolha pareceu-me ser bem segura, dado que, se eu, por acaso, não gostasse da textura, ao menos tinha um tom que não precisaria de muita mestria na aplicação, dado que era dos mais discretos que vi. Mas apercebi-me logo que os meus receios eram infundados.

De facto, é um produto que tem uma consistência cremosa ao toque, mas que se esbate e funde perfeitamente na pele, sem se notar as linhas de onde foi aplicado. Comparando com o Le Blush Crème da Chanel, o mais próximo que tenho dele, consigo facilmente dizer-vos com toda a certeza que parece menos pigmentado ao toque, mas que, depois de aplicado, tem um ar muito mais natural do que o primeiro, como se o tom fosse vosso, e não criado com maquilhagem. Não que não aprecie o da Chanel, pelo contrário, o meu coração é grande o suficiente para os dois, cada um na sua área de especialização e expertise, mas o da MUFE tem sido o mais recorrente, especialmente quando coloco apenas o BB da Missha, blush, rímel, um bálsamo e mais nada.


O facto de parecer natural deixou-me bastante confusa relativamente à sua duração logo no primeiro dia em que o usei. A determinada altura, já não sabia se era a minha pele que estava com um toque de cor bonito, ou se era o produto em si. Foi só na altura da desmaquilhagem que me apercebi que ele ainda estava na pele, quando dei por mim a ficar mais pálida em frente ao espelho, e o “calor” da minha pele a ir embora com o disco de algodão. Percebi que, efectivamente, estava perante um senhor produto, cumpridor de promessas.   

Consoante a cor que escolherem, parece-me portanto uma boa aposta para quem gosta de um rubor natural na pele, e que não sai de casa sem uma base ou um BB cream. O blush HD criará, discretamente, esse efeito. Sublinho, discreto. Não esperem ter um ar tcharam com este produto, arrisco-me a dizer que tal não será conseguido (se bem aplicado) independentemente da cor. Este é, como o nome indica, para dar o efeito de segunda pele, o mais natural possível, que fique, como garante a linha, bem em fotos e vídeo. 

Encontram este blush HD nas Sephoras por aí, provavelmente entre 25 e 30 euros (comprei o meu com promoção, muito mais barato, na loja francesa, onde a MUFE é, normalmente, mais acessível). Nos Estados Unidos são, mais uma vez, mais baratos do que noutras paragens. Já estamos habituadas a isso, nada a fazer. 

domingo, 16 de março de 2014

Dicas que dão jeito # 11 - Salinha vai à Laurinha

Quando a página de facebook da Laura Mercier Paris nos informa que teremos, à nossa disposição, para tirar dúvidas, mostrar como um ou outro produto se usa e qual a melhor maquilhagem de pele para nós, um maquilhador internacional, conceituado, é óbvio que ficamos interessadas e, no meio do nosso horário (felizmente, no meu caso, mais flexível, este ano), lá pegamos nós no telefone para marcar uma horinha para um “me time”. Foi assim que, esta semana, tive uma horinha muito interessante no Bon Marché, na companhia da Rania (conselheira LM do balcão do BM) e de Benjamin Ruiz, o especialista da vez.


Levei a minha Luxe Wardrobe, porque, afinal, já que era para tirar partido dos produtos da Laurinha, que eu adoro, mais valia começar pelos que já tinha. A cara ia sem nada, nem uma base, nem corrector de borbulhinhas, para que pudessem avaliar, assim a nu, o que melhor se adequaria à minha pele (Gostava de acordar à la filme, maquilhada e perfeita, mas, confesso, o meu acordar é muito mais primitivo do que isso). Cheguei à hora, até uns minutos antes, depois de meia hora de caminhada, que bem me soube. Estava prontinha.

Em jeito de tópicos, que é mais prático, farei a listagem dos passos e produtos, especialmente para pele, que usaram em mim, com uns pequenos comentários. Relembro que eu tenho pele normal a mista (aqui em França, mas mista a oleosa, no Verão ou climas húmidos), sensível e, neste momento, ligeiramente desidratada (estava a testar um produto que não será o mais adequado para o clima seco, mas sim para o húmido, e já o larguei), portanto, os produtos serão sempre os mais indicados para este tipo:

1. Em primeiro lugar, aplicaram-me o primer mineral, por considerarem o mais adequado para peles sensíveis. Claro que, se fosse comprar um dos famosos e, pela minha experiência com este, francamente bons, primers da marca, compraria o oil free, por conhecer a minha pele o ano inteiro, mas gostei de experimentar este.

2. De seguida, mais uma novidade. Eu, que sempre achei que o melhor seria a base silk cream, levei com uma base Oil-free Supreme, no tom Blush Ivory. Eu sou de sub-tom quente e, provavelmente, depois de uns meses sem sol aqui em França, um NC 20. Gostei francamente de como assentou na pele e, especialmente, de não se ter mexido o dia todo. Pelo que me disseram, a silk cream seria melhor para peles mais secas, e se quisesse uma cobertura maior. Para um clima húmido e quente, aconselharam, por exemplo, um tinted moisturizer oil-free ou um pó mineral. Disseram-me, novamente, que a base deve ser exactamente no nosso tom de pele, o que faz que tenhamos de ter sempre dois tons distintos; um para o Verão e um para o Inverno, que possamos misturar para tons intermédios, por exemplo.

3. Para camuflarem as regiões menos perfeitas da minha pele, como algumas manchas de borbulhas antigas, ou zonas mais escuras, usaram os dois pesos pesados da marca; o Secret Camouflage e o Undercover pot, no tom 3. Ambos são absolutamente fantásticos, não acumularam, ficaram perfeitos o dia todo e cumpriram a sua função, naturalmente, sem efeito de reboco, com mestria e dignidade. Não serei eu a falar mal destes tão adorados produtos, pelo menos não nas duas ou três vezes que os experimentei. Parece-me que teremos relação mais próxima brevemente.  

4. Um passo que sublinharam que nunca deveria ser descurado (e que, confesso, não faço muitas vezes) foi a aplicação do pó, por cima da base. Em primeiro lugar, usaram o Invisible loose setting powder universal, translúcido, que é a coisa mais leve e aérea que alguma vez vi. Não sei como se porta com fotos de flash, mas confesso que, nesta primeira abordagem, é muito mais fininho e de toque mais perfeito do que o da Make up Forever que tenho. De seguida um pózinho perlimpimpim para aquecer uma cara acinzentada do Inverno, mas não demasiado, um matte radiance powder, aplicado com a finishing brush, que lhe deu um ar muito leve e natural. Com aquele tom e brilho que vêm de dentro, se é que me entendem. Segundo me explicaram, o primeiro pó é essencial para os outros pós de cor assentem de forma natural, sem se agarrarem aos produtos líquidos e formarem aquelas manchas mais pigmentadas que algumas vezes vemos por aí. A verdade é que esta filosofia do flawless skin, a pele perfeita, da Laurinha é uma das melhores que já tive a oportunidade de experimentar e, não fossem todos os produtos de acesso mais dificultado, sem existir balcão em Portugal e sempre sem promoções, podem crer que já estavam todos com o seu lugar devido, no grupo dos mais queridos, na minha colecçãozinha de maquilhagem. Até o pincel foi apreciado pela minha pele, que se pela (salvo o trocadilho) por umas carícias com cerdas das boas.

5. De seguida, passaram para a maquilhagem. Nos olhos, um Caviar Stick em Sandglow, lindíssimo, um cobre com toque caqui, que fica perfeito como base de uma série de sombras, ou sozinho, no Verão. Já pus à prova os meus mini caviar sticks em ambientes bem húmidos, como jacuzzi e piscina aquecida, e os meninos não mexem, de todo. Daqui a nada, testo-os na humidade brasileira e, se forem tão bons quanto estou a pensar, toca a exigir a Laurinha por esses lados que serão, sem dúvida, produtos indispensáveis para dias em que a maquilhagem menos resistente escorre pela cara. Por cima uma sombra, um eyeliner, um rímel e já está, bem simples.

6. Como blush, aplicou o Barely Pink, um Second Skin Cheek Colour que fica discreto e muito natural, com um pincel cheek colour da marca, que eu adoro (mais uma vez, confesso). Segundo Benjamin Ruiz, a Laurinha não gosta do blush “esticado” para cima, como se faz para dar um efeito lifting, mas sim esbatido, de forma muito natural, nas regiões onde normalmente enrubesceríamos, sem subir muito.   

7. Para iluminar o rosto usou o Golden Shimmer, o pó que vem na Luxe Wardrobe, por toda a cara, com o pincel finishing também. Admito que tremi quando ele disse que se poderia fazer assim, dado que, com todos os pincéis que tenho, o resultado ficaria mais próximo do dourado Xerxes, do 300, do que de um glow natural. Mas com o pincel que usou, tiro o chapéu, ficou muito bem.

8. (Já me ia esquecendo) Nos lábios, depois de um creme de hidratação SOS, de tão secos que estavam, que até me pareceu interessante, mas usá-lo-ia apenas à noite, se o comprasse, aplicaram aquele que, provavelmente, é o baton mais parecido com o tom dos meus lábios, o crème smooth lip colour em Spiced Rose . É, por isso, um nude perfeito para lábios naturais, mas embelezados, com ar de hidratados. Estava a usá-lo numa das fotos que publiquei no Instagram, para ver do que falo. Não é um baton de longa duração, devendo ser reaplicado ao longo do dia, já que aguenta umas quatro horas nos lábios, sem comer nem beber, e não mais. A mim isso não me incomoda, mas há quem prefira fórmulas mais duradouras.  

No final, ainda ficámos a falar das maravilhas dos Shimmer Blocs, dos mais apreciados pelo Benjamin Ruiz. Tanto servem como sombras de olhos, iluminadores ou blush, sempre com um pó fininho e luminoso, sem glitter em demasia. A minha adoração é pelo Golden Mosaic, que virá morar comigo muito em breve, mas os outros são igualmente bonitos.  Para quem gosta de produtos multi-facetados, que sirvam para vários propósitos, especialmente o de manter uma bolsinha de maquilhagem simples e eficaz, e não se incomode com algum brilho, palpita-me que este deva ser um daqueles produtos que vos faria muito feliz.  

A Laura Mercier, cujo balcão ainda não chegou a Portugal, pode ser encontrada em alguns espaços parisiences, entre os quais o Bon Marché, ou, online, na Space.nk, com entrega em terras lusas. Os preços nos Estados Unidos são os mais convidativos, pelo que, se forem até lá, ou se conhecerem alguém que vá, aproveitem. Só há o grande inconveniente de não conseguirem ver os produtos para a pele que vos assentarão na perfeição, mas, com alguma pesquisa na net e algum conhecimento sobre tons e texturas, talvez acertem à primeira. 

Entretanto, vamos pensando positivo e com força para que a Laurinha decida comercializar para Portugal e Brasil, a preços simpáticos, próximos aos dos Estados Unidos. As peles lusófonas agradecerão com pompa e circunstância, embelezando-se alegremente.


sexta-feira, 14 de março de 2014

Utilidades de cozinha

por Carol Vannier

Existem alguns equipamentos de cozinha que considero de grande ajuda, mas por um motivo ou outro não são tão populares aqui no Brasil. Como não estão em toda cozinha, viram artigo de luxo e quando dão as caras nas lojas, muitas vezes são vendidos a peso de ouro.

Muitos deles são simples bugigangas feitas na China, só que algumas chegam aqui bem mais caras do que nos sites chineses. Então antes de comprar é sempre bom dar uma olhada na internet pra ter uma ordem de grandeza. Se você encontrar nas lojas por um pouco só a mais, pode valer a pena por não ter que esperar os longos prazos de entrega. Mas às vezes a economia é tão grande que é melhor esperar com o bolso mais feliz ;)

Vou citar aqui alguns itens que considero pouco apreciados, mas se você está querendo alguma outra coisa que eu não mencionei, procure por ela em sites como o Ali Express ou o Deal Extreme e veja se tem sorte.

Balança digital

fonte: Extra
Fonte: Deal Extreme
Pra mim nenhuma outra forma de medir ingredientes faz mais sentido do que na balança. Talvez minha formação científica reforce minhas neuroses naturais, mas eu realmente acho que todo mundo devia ter uma balança na cozinha. Não é que seja impossível medir bem de outras maneiras, mas é bem mais complicado. Você precisa de recipientes de volume conhecido, e precisa saber a densidade das coisas que vai medir, sendo que essa densidade pode variar. Já deu pancadinhas no pote de farinha pra caber mais? Pois é. E experimente ver quantos gramas de água cabem nas xícaras medidoras padrão. Elas dizem que têm 240ml mas nunca achei uma que coubesse 240g de água, nem duas que tivessem o mesmo tamanho. Claro, não estou dizendo que o seu bolo vai virar um alien só porque você usou uma xícara meio pequena pra medir, mas que mal tem ser um pouco mais preciso? Você ganha um controle melhor sobre suas experiências culinárias e ainda suja menos potes, porque pode botar uma única tigela em cima da balança e ir adicionando cada ingrediente e tarando a balança antes do próximo.


Antigamente era mais difícil encontrar por aqui balanças de cozinha que não fossem uma fortuna. Agora as opções mais baratas ficam em torno de R$50 com frete. Nos sites chineses dá pra conseguir por valores entre US$10 e US$20 dependendo do modelo, com frete incluso (normalmente o frete é incluído no preço então dá na mesma para qualquer lugar no mundo).


Termômetro de forno

fonte:  Deal Extreme
Eu acredito que existam fornos que dispensem o uso de um termômetro. Infelizmente é difícil topar com um desses no Brasil. Alguns (mais honestos eu diria) têm opções simplesmente de muito alto, alto, médio, baixo e muito baixo. Outros dão faixas de temperaturas que na maioria das vezes são mentirosas. Por essas e por outras um termômetro de forno pode ser muito útil. Infelizmente ainda me deparo com outro problema: a não-uniformidade da temperatura. Eu sempre tenho que girar os tabuleiros no forno pra tentar garantir um cozimento uniforme. Esse tipo de problema é resolvido por uma ventilação de forno, mas aqui no Brasil é preciso dar pelo menos um dos olhos da cara por um forno com ventilação.



Outros termômetros


fonte: AliExpress
fonte: AliExpress
Ok, aqui já é um pouco de exagero, mas o que vocês esperavam de alguém que escreve uma coluna de culinária? Pois é...
Eu já tive um termômetro digital com uma sonda que você podia mergulhar numa panela ou espetar numa carne, e adorava. Infelizmente ele quebrou e agora estou pensando em comprar um que fica preso na panela e é analógico (eu me acho incrivelmente azarada com equipamentos digitais). Mas para espetar carnes, o mais comum é digital mesmo, só que acho menos útil. Se bem que depois de tanto trabalho assando um pernil ou peru, é bem reconfortante ter certeza que o interior já atingiu a temperatura adequada, e que você não precisa deixar ele lá esturricando só por medo de talvez comer carne crua.

E como todo post das sextas-feiras termina com receitinhas, e mantendo a linha de utilidades de cozinha, compartilho duas receitas de produtos de limpeza feitos em casa (os dois testados e aprovados!) para você economizar uns trocados pra comprar bugigangas super úteis ;)


DESENGORDURANTE DE COZINHA

2L de água
500ml de detergente líquido de lavar louça
100ml de amônia*

Misture tudo num balde e guarde em garrafas PET. Para usar, reaproveite um desses vaporizadores dos produtos de limpeza para esguichar o desengordurante.


SABÃO PARA MÁQUINA DE LAVAR LOUÇA

(as partes são em peso, não em volume, então use sua balança!)
2 partes de borax* (borato de sódio)
2 partes de bicarbonato de sódio*
1 parte de ácido cítrico em pó*
1 parte de sal

Misture tudo e guarde em recipientes de boca larga, tipo pote de sorvete, porque ele absorve umidade e fica empedrado com o tempo. Então aquelas garrafinhas do sabão comprado pronto não são a melhor opção. 

*A amônia é vendida em frasquinhos na farmácia por menos de R$2, mas não fica exposta, tem que pedir no balcão. Já os ingredientes pro sabão da máquina foram comprados numa loja especializada em produtos químicos a varejo no centro do Rio, a B. Herzog. Pelas nossas contas custa entre 40% e 50% do preço do sabão no supermercado.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Pergunta da Salinha # 2

És pessoa de sabonete ou gel de duche?

Sou menina de gel de duche, assumidíssima, e, apesar das tentativas, não consigo voltar ao sabonete. Actualmente, estou a usar uns da Bourjois, que vos mostrei num post sobre saldos, depois de ter experimentado outros, como o da Caudalie, Yves Rocher, Rituals, The Body Shop ou o da Dove que ganha, sem dúvida alguma, o lugar de favorito em termos de hidratação. O sabonete cujo cheiro mais gosto, e é o que a outra pessoa cá de casa usa (ele sim, menino para preferir, sem pestanejar, uma barra a um creme), é o Fleur de Figuier da Roger Gallet (suposto favorito, também, da Penélope Cruz, a quem interessar a informação).  


Se este post vos interessa, vejam a primeira pergunta, da semana passada, na Salinha. Partilhem connosco as vossas respostas, que o diálogo é sempre extremamente interessante. Obrigada! :) 


quarta-feira, 12 de março de 2014

Bourjois | 123 Perfect CC Eye Cream

Tendo já partilhado algumas das minhas descobertas interessantes da Bourjois (aqui, aqui ou aqui), outras nem tanto, quando a apanhei a 50% de desconto, por altura dos saldos, acho que está mais do que na altura de partilhar convosco o que penso do CC Eye Cream, novidade de Janeiro. Convenhamos, ele não vai ficar melhor, nem pior, do que é, também já não tem por onde me surpreender, por isso, vamos a isso.

Começo pela embalagem que, parecendo que não, pode afectar imenso a (in)satisfação sentida relativamente a um produto. Em formato de caneta, com uma ponta diagonal (provavelmente para aplicação directa, que eu não faço), o produto sai por uma pequena ranhura (mas mesmo assim maior do que devia). Se forem pessoas calmas, com tempo, pacientes, rodarão comedidamente a outra ponta para que o dito corrector saia, descansadamente, do seu espacinho, e dê ares de sua graça. Ora, para todas as outras, como eu, que, especialmente de manhã, têm o botão no extra-rápido e aqui vai disto, é processo sujo e, o tão inglês, “messy”. Isto porque ou não sai nada, ou sai muito mais do que é preciso e, vai não vai, esse extra seca na ponta, bloqueia o que aí vem e, quando damos por ela, já saiu corrector para cobrir a cara inteira, fosse esse o propósito. Não é. Aplicar directamente o produto também não me pareceu o mais confortável; a ponta é dura, não se vê a quantidade que sobe e, nessa técnica desajeitada, lá ficamos com as olheiras extra cremosas e demasiado iluminadas. No mínimo. Eu, até agora, usei ou os dedos ou um pincel, tipo o deluxe crease brush da RT, e só assim consigo aplicar com alguma eficácia.

Posta a questão prática de lado, que, se um produto for bom, os ses menores até se esquecem (excepto o cheiro, que essa é, normalmente, a razão que me faz pôr os produtos de lado, mas não interessa aqui para nada, porque o CC Eye Cream até cheira bem, floral, para um corrector), passemos à textura e eficiência do produto em si. Confesso que a minha primeira reacção ao produto foi “olha que parecido com o Touche Éclat”! Isto porque está mais para o líquido e fluido do que o cremoso mais denso, e mais para iluminador (como ele se pretende, também), do que corrector per se. Isto é, não tapa, completamente, mas “clareia” por assim dizer, a zona das olheiras, que parece imediatamente mais fresca e revitalizada.


sim, sim, sei que as fotos não são as melhores, mas a máquina estava sem bateria e aqui tem-se pouco tempo para esperar...

A Bourjois garante, igualmente, 24 horas de hidratação e, apesar de, no meu caso, manter a promessa por umas boas 10 horas (nunca o deixei as 24, para garantir), confesso que não sei como se portará em alguém com pele mais seca. Hidrata, é verdade, mas é um iluminador/corrector , não um creme com esse fim, nem me parece ter todo esse poder, se é que me entendem. Ou seja, como agente camuflador já vi melhores, como iluminador, apenas, também não é favorito (O Touche Eclat é, neste género de produto, e pese embora ser muito mais caro, mais eficiente, não vale a pena negar) e, como hidratante, não bate um creme. Só por aqui pensamos imediatamente que será produto para uma ida ali ao lado rapidamente, naqueles dias em que não precisamos de maquilhagem perfeita e segura, e nada mais que isso.

Agora, o grande senão dele, na minha pele: sozinho acumula horrores! Se tiverem a sorte de não ter qualquer linha abaixo ou ao lado do olho, palmas para vocês porque, provavelmente, não terão qualquer problema com este CC Eye Cream. Para todas as outras jovens que, como eu, se riem frequentemente e têm, por isso, marcas de expressão bem vincadas, nessa região, esqueçam. Assim que o colocam, minutos depois, já têm linhas que terão de ir esbatendo ao longo do dia. A única forma de se aguentar mais, deixando-vos seguras, sem marcas chatas, algumas horinhas, é passando um pó por cima. Não fica perfeito, perfeito, mas é bom para aqueles dias em que só se usa corrector (o que eu faço, muitas vezes, no Verão). Sozinho, é um desastre (pelo menos na minha pele, mista, e, no meu caso, com linhas). Tenho de andar constantemente a limpar e a esbater a acumulação de produto, o que não é de todo agradável. Isto até um de nós se cansar;  ou eu desisto e vai, fica assim, ou ele fica tão esbatido que fica quase imperceptível ao nível da cor, embora mantenha a sua acção iluminadora. Devia vir num kit, com um pó, sem dúvida.

Este menino, que custa (pelo menos aqui) 9,95 €, está disponível em três cores; a Ivoire 21, Beige Clair 22 (a que tenho) e a Beige Doré 23. No Brasil encontrarão a Bourjois a excelentes preços na Dufry. Servirá para quem não tiver olheiras muito marcadas, nem linhas profundas, e pele com tendência a seca. Especialmente para dias em que estão numa de no make up. Quem quiser comprá-lo, não se esqueça de juntar à lista um pó, até pode ser o Healthy Mix, da marca, para assentar o produto e ter um companheiro quietinho durante mais tempo. 


terça-feira, 11 de março de 2014

Ted Baker | Os felizes companheiros (fosse tal possível)

Costumo dizer que, se alguma vez ganhasse o Euromilhões, a primeira loja na qual entraria seria, sem dúvida alguma, a Ted Baker. Recebi um saco de maquilhagem de prenda de aniversário, um dos eternos de borracha com um laço, e adoro-o. Na loja, na qual entrei num domingo, aquando de um passeio pelo Marais, conseguir-me-ia vestir dos pés à cabeça, traria uns acessórios e aproveitava para umas pecinhas para a praia. Apesar da escolha ser difícil, já que teria vontade de experimentar (e trazer, vejam o problema!) tudo, eis algumas coisas que, com certeza, viriam comigo... 

... para um evento de Verão:

CARLII - 240 €                                                       HALINA - 225 €

... para um passeio simples:

TEZZ - 165 €                                                        PRISCIL - 200 €

... para uma saída à noite:

TEMBERL - 175 €                                                EVELIN - 215 €

... para a praia:

LEALLAA - 75 €                                                        TEBAG - 75 €

... para o caso de estar um friozinho:
PATRINI - 125 € (a parte de trás é amor)                       GAETON - 200 €

... no caso de estar ainda mais frescote:

MADIGAN - 375 €                      MEELIYE - 300 € (mais uma vez, parte de trás linda)    SANCIA - 315 €

... para os pézinhos:


... e para acompanhar:



Bem, no final, não era nada de assim tão extravagante ou excêntrico. Sou assim de pedinchices pequenas, vá. 


segunda-feira, 10 de março de 2014

Das pessoas | A compaixão vazia e a solidariedade fotogénica

Toda a comoção e a indignação que tem movido o Facebook em torno da sessão fotográfica com a Rita Pereira levou-me a, passados meses de clausura e introspeção sobre evoluções e passos que somos obrigados a dar na vida, escrever sobre o que trago em mim de um espaço que também se tornou meu, onde deixei parte de quem era e trouxe muito do que sou hoje, Cabo Verde. Explico-vos porquê.

Dizem que África nos molda, nos tolda, e nos deixa órfãos quando nos vamos embora. Eu nunca acreditei, nem subscrevo, assumpções tão generalistas que partem imediatamente do princípio que um continente, tão vasto em culturas, mentalidades, povos, formas de viver, quantos os quilómetros que separam países e meridianos que os ultrapassam, é todo igual. Não é. Dizê-lo, de boca cheia, parece-me sempre tão acertado e sério quanto dizerem que nós, portugueses, e os polacos são iguais, e que a Europa de uns é igual à dos outros. Disparatado.

E, contudo, Cabo Verde, do qual posso falar, deixou-me assim, moldada, toldada, órfã de uma terra que não era minha, que me maltratou no primeiro ano e que passei a adorar. Tanto quanto aqueles amores estranhos, loucos, que se entranham e dos quais só nos apercebemos quando se foram embora. Ou quando partimos, que foi o que aconteceu, no meu caso. A vida é de evolução, e a minha estava num afastamento que, fossem outras as condições, nunca teria acontecido. Mas não são. Se há semana que passa em que não penso nas gentes, no Sol, na calma e simplicidade de uma vida tão própria? Não há. Se sinto aquele aperto para voltar, já amanhã, e abraçar o que de mim deixei lá, aqueles cujas vidas tocaram na minha e me fizeram crescer, viver, saborear risos e partilhar frustrações, gritar com o mundo mais petulante e chorar ao lado dos que se esforçam por ter algo, com um ânimo de alguém que só de si se vale? Sinto. Muito.

Há qualquer coisa naquela terra, árida na maior parte do tempo, naquelas pessoas, cuja morabeza não é a dos hotéis, nem a que romanticamente idealizamos, que entra em nós e nos faz sentir aliens perdidos no meio de comunidades, outras, materialistas, individualistas, com egos que se medem pelas contas bancárias. O regresso foi um choque. Confesso. Deixar amigos para trás, que ganharam lugar cativo no meu coração, com preocupações dignas de seres humanos, completos, que lutam, que sabem distinguir o valor das coisas, e das pessoas, e sentar-me à mesa de quem mede forças pelo preço do que compra, do que tem, é algo que tem tanto de inexplicável, quanto de penoso. Aqui estou eu, mais de um ano depois, a assumi-lo. O problema não eram os outros, esses estavam iguais, era eu, diferente, não apenas num rosto mais cansado, mais maduro, com a pele de quem viveu anos debaixo de um Sol  mais claro, mais baixo, mais quente, mas também nuns olhos que viram o que é viver sem nada, ali ao lado, e um coração que não queria suportar o regresso, que anseia por voltar, que se sente perdido no meio de outros, pequeninos, que se julgam muito maiores do que são. E nem percebem como estão errados. Não estou melhor, nem pior, estou diferente.

Por isso, e chegando às malfadadas fotos que circulam por aí, custa-me o extremo mau gosto da campanha (da qual não entendo a razão e, quando assim é, significa que a estratégia de comunicação não foi tão bem desenhada quando podia), mas ainda mais os comentários de comiseração bacoca, compaixão de uma superioridade ignorante, que tratam as pessoas como se de "coitadinhos" se tratassem. E daqui parte um dos primeiros erros e sentimentos que não se deveriam nutrir pelos outros. A comiseração misturada com uma pena que, no desconhecimento, nos faz sentir defensores de causas, na net, por escrito, mascarados por identidades virtuais, fachadas essas com as quais podemos ser este mundo, e o outro (que a ser, sê-se em grande). Revoltamo-nos, julgamos a modelo que lá está no meio como se o diabo fosse, porque “coitadinhos” dos que estavam à volta, perante tanta opulência, tanta riqueza, no meio de quem nada tem.

Não direi, com isto, que não vi muita "miséria" em Cabo Verde. Vi. Crianças com roupa rota, a jogar com uma bola feita de trapos, descalças (se algum ser que se julgasse superior me visse, nos anos oitenta, na aldeia da minha avó, a brincar com a minha prima, descalças, sujas, na terra, também nos fotografaria). Mais meninos de rua, sozinhos, do que alguma vez deveria ser permitido (porque até um já é demasiado). Casas por construir, por terminar. Comida que escasseia em muitos pratos e escolas demasiado longe para muitos alunos, que têm de andar quilómetros a pé, faça sol ou chuva (e em Cabo Verde isto significa terra alagada e muita lama, escorregadia naqueles montes do interior de Santiago). O cansaço na vendedora de rua, que lá está o dia todo (todo! Não as quarenta horas semanais, nem algumas horas extra, tão penosas e queixosas para alguns, que acham que são desgraçadinhos a trabalhar, mesmo por conta própria, para terem “coisas” topo de gama) para conseguir dar aos filhos, que a ajudam quando podem, um futuro melhor. Jovens que batalham com a força de heróis para conseguirem ir longe, simplesmente para serem quem querem ser, quem sonharam ser, já que não podem contar com mais alguém a não ser com eles próprios. E noutros países haverá, com certeza, ainda mais. Mas “coitadinhos”? “Coitadinhos” não são. Até é ofensivo.

A distribuição de riquezas mundial é, de facto, assustadora e revoltante. Não temos uma real noção de quanto até abrirmos as mentes e nos confrontarmos, in loco, com ela, olharmo-la nos olhos e identificarmos a sua verdadeira alma, diabólica. Um dia, um aluno meu disse-me que tinha sido Deus a fazer com que algumas pessoas nascessem num país com tantas faltas, onde a chuva não cai, a comida não abunda, no mar nem um pocinho de petróleo se encontra. Pequenino, já que o país também não é grande. Sorri, tentei explicar-lhe que não. Mas como perceber, eu, que vivi sempre com electricidade e o conforto de um banho quente matinal, a visão de quem se habituou a conhecer outro mundo, o nosso, nas palavras de emigrantes, nas fotos ou na televisão, quando havia? Fiquei com vontade de pegar nas fortunas da ínfima percentagem dos grupos e pessoas que seguram as cordas do mundo, e espalhá-las por ali. Mas não tenho como. Infelizmente. Só posso fazer o que está ao meu alcance. 

Não trouxe, contudo, comigo, a ideia de um povo e de uma comunidade merecedores de uma pena vazia. Isenta de acções. Muitas vezes, resultado apenas de uma noção de consideração mínima da regra do politicamente correcto, totalmente desprovida de fundo de valor. Revolta-me a hipocrisia, muitas vezes incorporada ao ponto de nos acharmos repletos de uma compaixão que nos faz dignos de um pedaço do céu, ao ponto de me gerar náuseas. Sinto que é o Cabo Verde que se entranhou em mim que me faz ficar fisicamente incomodada com o coração oco alheio, aquele que faz mal ao próximo e defende, porque está longe, o outro, só porque tem um tom de pele que, mediaticamente, fica bem associado com a solidariedade e caridade.

O mundo evoluirá quando nos olharmos como iguais, e não uns de um pedestal sobre os outros, os “coitados”. Há gente que precisa, muito, da nossa partilha, onde quer que esteja, mesmo que seja aqui ao lado de casa. Cada um de nós sabe como essa parceria pela humanidade pode ser feita; cada um dá o que tem e sabe. E há gente muito feliz e muito lutadora mesmo sem o último telemóvel ou carro topo de gama (ou mesmo sem nenhum, acreditem). Ou sem vestir as marcas x ou y da moda, porque fica mal não as usar, já que todos os outros têm. Satisfeitos com o que têm, com a vida que levam, simples e humilde, mas nas quais há espaço para a família, que apoiam e para a qual estão presentes, naturalmente, assim, de braços honestamente abertos, porque ela vem sempre em primeiro lugar. E não estou a falar num núcleo pequeno, mas de uma colaboração entre primos, tios, sobrinhos, que, em alguns casos, chega às dezenas. Há de tudo, em todo o lado, de todas as cores, de todos os feitios.

Ninguém nos fez donos da sapiência superior, nem dignos de julgarmos os outros por terem vidas, hábitos e mentalidades diferentes dos nossos. Muito menos de manter estereótipos de uma "miséria" que é foto e videogénica, ao mesmo tempo que nada fazemos para estender a mão ao outro. Numa das letras de uma das minhas músicas cabo-verdianas favoritas, a Mnine de Rua, dos Cordas do Sol, encontramos, a determinada altura, esta frase: “Es e mnine d'rua ma es meste nos tude/ Ai munde, Ai Munde/ Un kalker d'nos pudia ser mnine d'rua” (É menino de rua, mas precisa de todos nós /Ai mundo, ai mundo / Qualquer um de nós podia ser menino de rua). E, para mim, é daqui que devia partir a ajuda, a parceria global, o voluntariado e a mão estendida, ao lado, não por cima, não com a compaixão que “fica tão bem”. Porque, lembrem-se “qualquer um de nós podia ser menino de rua”. E se fôssemos, queríamos ser tratados como “coitadinhos”, especialmente por quem pouco faz por nos conhecer? 
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